Guia de identificação das principais infestantes do olival

Guía identificación de las principales malas hierbas del olivar

Guia de identificação das principais infestantes do olival

As infestantes do olival são, a par da pluviometria e das doenças, os fatores que mais afetam a produtividade das oliveiras. A presença das infestantes, sobretudo sob a copa das árvores, acarreta uma série de problemáticas que podem encarecer a conta de cultura, nomeadamente, a colheita.

O primeiro fator a ter em conta é que a competição das infestantes pela água e pelos nutrientes é mais elevada nas zonas onde se concentram as raízes, ou seja, por baixo da copa das oliveiras. Esta competição implica uma redução da produtividade da oliveira e pode também afetar a qualidade da azeitona (redução do tamanho do fruto e do seu teor em óleo).

Por outro lado, a presença de infestantes sob a copa dificulta a colheita da azeitona, podendo encarecê-la, já que o ritmo de trabalho das máquinas de colheita e dos trabalhadores se torna mais lento..

É de salientar que um terreno com elevada pressão de infestantes dificulta a gestão da cultura sob vários aspetos: a rega, a poda, a vigilância das pragas (por exemplo a euzofera), dificulta a aplicação dos fertilizantes foliares e dos tratamentos fitossanitários.

Características comuns das infestantes do olival

Em geral, as infestantes do olival germinam na Primavera e no Outono, e têm consequências indesejáveis em ambos os casos: na Primavera competem diretamente com as oliveiras por nutrientes e água, precisamente no momento em que as árvores iniciam o seu ciclo produtivo e, frequentemente, em períodos em que a água é escassa; no Outono podem dificultar e encarecer os custos de colheita.

Além disso, as infestantes que surgem nos solos dos olivais têm grande capacidade de propagação e germinativa (podem manter-se viáveis durante vários anos), o que as torna extremamente invasoras e competitivas. Algumas espécies apresentam germinação escalonada, o que torna mais difícil o seu controlo..

Infestantes mais comuns no olival

Saramago (Diplotaxis sp.)

O saramago é uma infestante do grupo das dicotiledóneas anuais e está presente em toda a região do Mediterrâneo. Pertence à família das brássicas e caracteriza-se pela sua rápida germinação e crescimento após as primeiras chuvas de Outono, embora possa florescer em qualquer época do ano. A semente do saramago apresenta pouca latência e pode manter-se viável no solo durante três anos.

Falsa cevada (Hordeum murinum)

É uma gramínea anual muito comum em locais secos e expostos ao sol, pode ser encontrada em diversos tipos de solos desde o nível do mar até à meia encosta, tal como os olivais da Península Ibérica. Germina no Outono-Inverno após as primeiras chuvas.

Catassol (Chenopodium album)

O catassol é uma infestante anual, dicotiledónea, que germina no final da Primavera. Caracteriza-se pelas suas raízes fortes e pivotantes e por extrair grande quantidade de nutrientes do solo. As plantas de catassol produzem dois tipos de sementes, umas de cor castanha, que podem germinar ao separar-se da planta, e outras de cor preta, que podem permanecer latentes no solo durante vários anos antes de germinar.

Juncinha (Cyperus sp)

A juncinha é uma infestante monocotiledónea que se multiplica de forma vegetativa, através de tubérculos, ou por semente. Possui um sistema radicular e rizomas fortes que se estendem em profundidade no solo, tornando-a numa espécie muito resistente, invasiva e competitiva. Surge sobretudo em olivais de regadio, pois para se desenvolver precisa de temperaturas superiores a 20ºC e água em abundância.

Corriola (Convolvulus spp)

A corriola é uma planta dicotiledónea perene, tem capacidade de crescer rapidamente e apresenta alguma tolerância a alguns herbicidas de pré-emergência. Estas características fazem dela uma infestante muito competitiva com as culturas agrícolas. As suas sementes germinam aos 10-15 dias após a polinização e possuem grande latência, podendo permanecer no solo até 20 anos.

A ter em conta que a corriola tem capacidade de se regenerar a partir das raízes, estas podem atingir até 2 metros de comprimento e são frágeis. Ou seja, a tentativa de erradicar esta infestante de forma mecânica pode levar a que permaneçam no solo fragmentos das raízes com capacidade germinativa

Infestantes difíceis de controlar no olival

Coniza (Conyza canadensis)

A coniza é uma infestante dicotiledónea anual com elevado poder de disseminação em culturas permanentes como o olival. Este elevado poder de infestação deve-se à sua grande capacidade de adaptação a climas extremamente secos e com temperaturas elevadas. Além disso, as sementes da coniza têm elevada capacidade de germinação, podendo coexistir plantas em diversos estados de desenvolvimento. O controlo mecânico não é eficaz porque esta infestante renasce facilmente.

Nos últimos anos,  surgiram populações de coniza resistentes a vários herbicidas em culturas tipicamente mediterrânicas como o olival.

Erva-febra (Lolium rigidum)

A erva-febra é uma gramínea anual e perene muito comum em parcelas de cereais. Foi classificada como infestante resistente a herbicidas a nível mundial, sobretudo em parcelas de cereais, pois está descrita a sua resistência a 13 modos de ação. Nos últimos anos  apresentou resistência a herbicidas no olival.

Esta infestante possui elevada capacidade de produção de semente, podendo produzir 900 a 1500 sementes por planta, com taxa de emergência superior a 75%, embora permaneça no solo apenas durante dois anos. Outro inconveniente desta espécie é a sua grande diversidade genética e alta densidade de infestação. A erva-febra inicia o crescimento no Outono e desenvolve-se com baixas temperaturas, coincidindo com a época de colheita da azeitona.

Bromo (Bromus sp)

O bromo é uma gramínea anual, germina no Outono e floresce entre abril e junho. Está muito bem-adaptada ao clima mediterrâneo e, em particular, a olivais com mobilização superficial do solo. A sua rápida adaptação, nas últimas campanhas, levou a que esta espécie fosse considerada como um problema grave em diversas culturas.

O bromo tem capacidade média-alta de produção de semente, com 150-300 sementes por planta, e elevado poder de infestação (em caso de infestação severa da cultura pode produzir até 450 kg de sementes por hectare). As sementes não apresentam dormência, 90% das sementes germinam no mesmo ano em que são produzidas. A germinação ocorre no Outono após as primeiras chuvas. As sementes enterradas permanecem por pouco tempo no solo, até ano e meio no máximo.

Cenoura-brava (Daucus carota)

A cenoura-brava é uma planta dicotiledónea que germina no Outono-Inverno. Tem elevada capacidade de produção de semente (mais de 1000 sementes por planta) e boa adaptabilidade, e por isso, apresenta elevado potencial invasivo.

Em condições favoráveis, a germinação ocorre do final da Primavera até ao final do Verão. No entanto, perante condições adversas, tem capacidade de crescer durante vários anos (a roseta das folhas e a raiz pivotante servem-lhe de reservatório de açúcar) antes de florescer.

Uma característica desta infestante, que lhe confere especial resistência ao controlo mecânico, é que quando ocorre a floração e a maturação das flores e das sementes mais altas, a planta pode continuar a desenvolver novos caules floríferos ao longo do ciclo de crescimento.

Grama (Cynodon dactylon)

A grama é uma infestante gramínea plurianual, tem a particularidade de se propagar sobretudo por via vegetativa (mediante rizomas e estolhos). Está classificada a nível mundial como uma das infestantes mais difíceis de controlar devido ao seu rápido crescimento e elevado potencial invasivo.

A grama é uma planta muito tolerante à seca e pode induzir a latência do seu rizoma durante períodos de até sete meses, aumentando a probabilidade de sobrevivência em condições adversas. Após esta fase letárgica, consegue proliferar rapidamente devido ao tipo de reprodução vegetativa que a caracteriza.

Malva (Malva sylvestris)

A malva é uma infestante dicotiledónea anual que germina no Outono e na Primavera. Caracteriza-se pela sua competição com os recursos disponíveis no solo e, caso não seja controlada precocemente, uma vez estabelecida é muito difícil de eliminar.  

Esta infestante apresenta resistência aos herbicidas que habitualmente se utilizavam na Península Ibérica, nomeadamente no olival.

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