Controlo de infestantes em pós-emergência do milho

Tratamientos post emergencia de malas hierbas en maíz

Controlo de infestantes em pós-emergência do milho

Como surge o problema das infestantes?

milho representa 40% da área de cereais em Portugal, por isso, é muito importante a proteção fitossanitária de uma das culturas mais importantes do nosso país.

Um dos principais problemas que afetam a produção de milho, sendo uma cultura de regadio, é o crescimento de infestantes durante o desenvolvimento da cultura. Estas chegam a provocar perdas importantes de até 40% epara evitá-las deve ser feita uma correta gestão e tratamento das infestantes.

O principal fator que provoca estas perdas é a competição das infestantes com a cultura pelos recursos – água, luz e nutrientes -, afetando o crescimento do milho.

Principais infestantes em pós-emergência do milho

As infestantes que afetam a cultura do milho apresentam determinadas características biológicas que são especialmente prejudiciais.

Apresentam grande capacidade de adaptação a condições que se assemelham a climas quentes e áridos e muito boa capacidade para produzir sementes, que podem manter-se viáveis durante vários anos no solo. Estas sementes desenvolvem-se de forma escalonada, germinam e geram plântulas em qualquer momento do ciclo da cultura.

Existem dois grupos de infestantes, consoante as características do seu órgão foliar:

Infestantes de Folha Larga. Algumas das mais relevantes e difíceis de controlar que afetam a cultura do milho são:

  • Malvão ou Juta-da-China (Abutilon theophrasti), conhecido pelas sua folhas de textura característica semelhante ao veludo. Tem grande capacidade de produzir sementes. Os caules são fibrosos e lignificados e podem ser uma dor de cabeça até para o desempenho das máquinas de colheita.
  • Catassol (Chenopodium album), apresenta sementes com grande persistência no solo. Possui grande resistência a determinados herbicidas.
  • Bardana-menor (Xanthium strumarium), infestante de germinação escalonada, que por vezes é de difícil controlo só em pré-emergência.

Além destas, podemos destacar: Beldo ou monco de peru, (Amaranthus retroflexus), Figueira do inferno ou figueira brava, (Datura stramonium),Beldroegas (Portulaca oleracea) ou a Corriola (Concolvulus arvensis).

Chenodium album
Abutilon theophrasti

Infestantes de Folha Estreita. As mais relevantes que afetam a cultura do milho são:

  • Milhã-digitada ou pé-de-galinha (Digitaria sanguinalis),gramínea de germinação tardia. É conhecida pela sua inflorescência formada por espigas.
  • Milhã-pé-de-galo (Echinochloa crus-galli)  é uma das gramíneas mais importantes da cultura, com uma elevada capacidade de produção de sementes de porte médio.

Outras infestantes de folha estreita relevantes na cultura do milho são as Junças (Cyperus rotundus e Cyperus esculentus), Sorgo (Sorghum halepense) e Setaria (Setaria spp.)

Sorghum halepense
Digitaria sanguinalis

Conhecer as junças

As junças, plantas da família das Cyperaceae (monocotiledóneas herbáceas perenes) e do género Cyperus spp são uma ameaça à cultura do milho. A junça-de-conta (Cyperus rotundus) caracteriza-se pelo seu pequeno porte e crescimento rápido, multiplica-se produzindo pequenos tubérculos com alto poder regenerativo (um único tubérculo cortado pode dar origem a várias plantas). Esta característica faz dela uma infestante de difícil controlo em geral nas culturas agrícolas e em particular na cultura do milho.

A junça-de-conta tem folhas estreitas verde-escuras, com inflorescências castanho-avermelhadas. Forma uma rede de tubérculos ligados entre si por rizomas fortes e que parecem arames. Os tubérculos são alongados e de cor castanho-escura.

A junça-de-conta adapta-se a diversas condições ambientais, mas desenvolve-se mais rapidamente com temperaturas elevadas. Apresenta uma emergência escalonada e as infestações caracterizam-se por uma alta densidade. Compete com o milho pelos recursos existentes no solo (água e nutrientes) e produz toxinas que inibem a germinação e desenvolvimento das outras espécies.

Cyperus rotundus (foto:UTAD)
Raízes de Cyperus rotundus (foto: International Rice Research Institute -IRRI)

Outra infestante do género Cyperus spp igualmente problemática para a cultura do milho é a juncinha (Cyperus esculentus). Caracteriza-se por um porte de 10 a 50 cm, caules triangulares, folhas verde-claras ásperas nas margens, planas, mais estreitas do que as da junça. Apresenta um único tubérculo terminal arredondado.

Juncinha (Cyperus esculentus)

Como é que as infestantes afetam o milho?

As infestantes são problemáticas para a cultura do milho devido à semelhança entre os ciclos biológicos de ambas, que provoca uma grande competição entre espécies. As culturas, em geral, são especialmente sensíveis à competição com as infestantes durante as primeiras fases de desenvolvimento vegetal.

Por exemplo, no que se refere à captação da luz, as folhas do milho conseguem perceber, através dos fitocromos, as alterações mais relevantes na luz que incide sobre elas. Quando as infestantes emergem ao mesmo tempo que a cultura, os fitocromos presentes nas folhas do milho detetam que a luz que recebem está a ser refletida pela superfície das folhas das infestantes.

De modo que, as plantas de milho adotam uma estratégia de crescimento para se sobrepor às infestantes desenvolvendo um caule mais alto e folhas mais compridas.

Esta estratégia de aumento da parte aérea representa um problema porque as plantam têm uma capacidade de crescimento limitada, gerando por sua vez um gasto de energia excessivo, resultando na diminuição da produtividade e posterior perda de produção.

Tratamentos

Para evitar a perda de produção da cultura são realizados tratamentos de pré e pós-emergência. Neste artigo falamos apenas dos segundos, ou seja, os que se realizam após a emergência do milho e durante as fases iniciais do seu desenvolvimento.

É primordial que as infestantes que emergiram se encontrem numa fase em que sejam sensíveis ao tratamento a utilizar, com o objetivo de evitar a competição entre elas e a cultura.

O controlo de infestantes pode realizar-se através de métodos físicos, mecânicos, biológicos ou mesmo térmicos, mas os principais tratamentos são os que se realizam com controlo químico, mediante o uso de herbicidas, já que são os mais eficazes. Podem combinar-se diferentes métodos para prolongar no tempo o efeito dos tratamentos químicos.

Herbicidas Pós-emergência milho

 ComposiçãoFormulaçãoInfestantes suscetíveis ou moderadamente suscetíveisDose
Elumis75 g/L mesotriona + 30 g/L nicossulfurão  Dispersão em óleo (OD)Malvão Bredo Moncos-de perú Catassol  Figueira-do-inferno Grizandra Mal-casada Erva-moira Sorgo-bravo Bardana-menor Milhã-pé-de-galo Beldroega Milhã-verde Milhã-amarela Acelga  1 – 2 L/ha  
Callisto100 g/l mesotriona  Suspensão concentradaJuncinha Catassol Moncos-de-perú Figueira-do-inferno Sempre-noiva Erva-moira Erva-pessegueira Malvão Morugem-branca Mostarda-dos-campos Saramago Milhã-digitada Milhã-pé-de-galo Junça-de-conta0,75 – 1,5 L/ha  
Callisto Plus120 g/L dicamba + 50 g/L mesotriona  Suspensão concentradaMalvão Moncos-de-perú Ambrósia Corriola-maior Cardo-das-vinhas Catassol Erva-pessegueira Erva-moira2 L/ha  
Banvel480 g/L dicamba  Suspensão concentradaBeldro Cardo-das-vinhas Catassol Corriola Erva-aranha Erva-pessegueira Labaça-crespa Mal-casada Moncos-de-perú Trepadeira-das-balças0,6 L/ha  

Os herbicidas podem ser aplicados de forma localizada (onde temos a infestação) ou em toda a parcela (esta última situação normalmente é efetuada quando optamos por uma única aplicação em pós emergência).

Dentro do catálogo Syngenta possuímos várias soluções que podem ajudar no controlo das principais infestantes da cultura, onde a utilização de misturas prontas (com grupos químicos diferentes) tem um papel fundamental na questão respeitante à gestão de resistências.   E obviamente, sempre que seja necessário podem utilizar-se herbicidas não seletivos para controlar as infestantes (mais difíceis como as Ciperáceas) que se encontrem nas fases iniciais, antes mesmo da instalação da própria cultura.

Qualquer aplicação herbicida deve ser feita forma ponderada e se o custo beneficio dessa aplicação compensa o investimento e a sua escolha deve ter em conta o tipo de infestantes que vamos combater (que temos presentes no momento da aplicação – pós-emergência) para que a simples aplicação não venha a desenvolver problemas de resistências às substâncias ativas em causa devido a uma má escolha.

Em conclusão, conhecendo as infestantes e seguindo um controlo e gestão adequados das mesmas, protegemos a nossa cultura do milho e reduzimos a probabilidade de sofrer perdas importantes e irrecuperáveis.

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